terça-feira, 5 de agosto de 2008

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

O Bonde e a Bicicletada de Curitiba

Foto: Eduardo

A idéia surgiu na lsita, lá em outubro de 2007. A diálogo ficou por meses, entre idas e vindas, até que finalmente a concretização: participar da Bicicletada de Curitiba. Toda a logística coletivamente pensada: troca de emails com os cicloativistas de curitiba; hospedagem na cidade; aluguel do bonde em São Paulo ( visitas nas empresas de fretamento), etc. Paulistanos (36) e uma catarinense embarcaram nesse bonde, que ficará conhecido como o da amizade. E a bicicletada de Curitiba de julho 08, entrará para a história de todos os cicloativistas que lá estiveram.

Los Hermanos
Composição: Atahualpa Yupanqui

Yo tengo tantos hermanos
Que no los puedo contar

En el vale en la montaña
En la pampa y en el mar

Cada cual con sus trabajos
Con sus sueños cada cual

Con la esperanza adelante
Con los recuerdos de trás

Yo tengo tantos hermanos
Que no los puedo contar

Gente de mano caliente
Por eso de la amistad

Con um lloro para llorarlo
Con un rezo para rezar


Con un horizonte abierto
Que siempre esta más allá

Y esa fuerza pa buscarlo
Con tezón y voluntad


Cuando parece más cerca
Es cuando se aleja más

Yo tengo tantos hermanos
Que no los puedo contar

Y asi seguimos andando
Curtidos de soledad

Nos perdemos por el mundo
Nos volvemos a encontrar

Y asi nos reconocemos
Por el lejano mirar

Por las coplas que mordemos
Semillas de imensidad

E asi seguimos andando
Curtidos de soledad

Y en nosotros nuestros muertos
Pa que nadie quede atrás

Yo tengo tantos hermanos
Que no los puedo contar

Y una hermana muy hermosa
Que se llama libertad


Outras informações ( dica do Luddista)

Apocalipse Motorizado - relato e fotos
blog transporte ativo - relato
contraponto e fuga - relato e fotos
luna rosa - fotos (multiply)
luna rosa - fotos (flickr)
ciclobr - fotos

curitiba - fotos e relatos
aninha
bicicletada curitiba
ciclista urbano cwb I
ciclista urbano cwb II
falanstérios

curitiba - fotos
bicicletada curitiba
bikecicletas I
bikecicletas II
bikecicletas III
ciclobr
fahrad I
fahrad II
fahrad III
falanstérios
felipe
pedalante I
pedalante II
pedalante III
tessie

curitiba - vídeos
bicicletada
plá I
plá II

serra da graciosa
fotos - ciclobr
fotos - fahrad
fotos - falanstérios
relato - aninha
relato - falanstérios

Memória das bicicletadas em SP

-.-.-.-.-.-.

domingo, 3 de agosto de 2008

Ler

Meu Zumbi

De corpo suado
De olhos meigos e doces
De boca ardente...
Nenhuma paisagem se iguala
à visão que tenho de você
Explosão de raça em forma de ser
o que mais quero:
Entrelaçar nossas peles retintas
Me animar de vida,
Buscar meu céu em sua terra
Saciar minha sede de mel em seu mistério.

Tatuar-te em meu corpo
para ter a certeza de tê-lo
preso-colado-filtrado em mim
na própria pele
rasgando a epiderme
que nem laser apaga
que aos poucos me rasga
e se fixa e me marca
num uno indivisível
(Lia Vieira, in Cadernos negros 15)

Foto: Tessie

CANTO À AMADA

Não fosse sua boca um luar
E seus olhos
Cintilantes estrelas
Não fossem suas mãos
Perfumadas pétalas
E teus braços
Um leito acolhedor
Não fosse sua vida minha vida
E teu corpo minha inspiração
Ainda assim te adoraria
E te chamaria: meu amor
Pois a ti eu pertenço
Como a própria pele...

(Márcio Barbosa, in Cadernos negros 5 )


-.-.-.-.-.

6 anos de uma Feliz Cidade

São Paulo, já sabe: 1 vez por mês "os malucos" pedalam por ruas e avenidas da grande urbe brasileira. Celebram o direito de ir e vir, a co-existência (quase) pacifíca entre carros, motos, ônibus, táxis, bicicletas, patins, skates. Em julho(25), pedalamos para comemorar também o aniversário da bicicletada em São Paulo.

Foto: Polly

Foto: Julipa

Foto: Polly

Foto: Polly

Foto: Luddista



Relatos e Fotos:

Apocalipse Motorizado: O eixo do Bem

Cicloativando: Bicicletada de Julho - impressões; e Grande Space Pinheiros - repercussão

Falanstério: Falanstério 71 - Parabéns Bicicletada de SP

Panoptico: Bicicletada são Paulo - 6 anos


Fotos:

CicloBr

Falanstérios

Julipa

Luddista

Polly Rosa

Tessie


Vídeos:

Tessie ( 1 ) e ( 2 )

Memória:

Um pouco de História - memória das bicicletadas em SP

-.-.-.-.-.-.-.

Poesia em Curitiba

Foto: dica da Chantal

Rumo ao sumo


Disfarça, tem gente olhando.
Uns, olham pro alto,
cometas, luas, galáxias.
Outros, olham de banda,
lunetas, luares, sintaxes.
De frente ou de lado,
sempre tem gente olhando,
olhando ou sendo olhado.

Outros olham para baixo,
procurando algum vestígio
do tempo que a gente acha
em busca do espaço perdido.
Raros olham para dentro,
já que dentro não tem nada.
Apenas um peso imenso,
a alma, esse conto de fada.

Paulo Leminski
(1944-1989)

Foto: Bikecicletas

Paulo Leminski - Um dia de Sol , ciclista urbano cwb.

-.-.-.-.-.-.-.-.

+ 5 e 1 charge



Aumente a sua auto-estima

Aprender novas coisa, seja trocar um pneu ou trocar seus pedais antigos por um para uso com sapatilhas, faz nos sentirmos melhor. Ao contrário, se alguma coisa der errado, tente novamente amanhã.

Mantenha o controle

Por que somos tão estressados? Nós pensamos que não temos o controle sobre nossa situação. Mas os ciclistas têm! Pelo menos mais dos que os estressados motoristas. Isto explica por que um estudo, feito na Inglaterra, iguala o nível de ansiedade dos motorista aos dos pilotos de caça ou de policiais.

Sinta a natureza

Estar em contato com a natureza, exposto às plantas, ao ar puro, nos faz sentir-se melhor. O contato com a natureza reduz a ansiedade e a agressão, tão comuns nos seres urbanos.

É repetitivo

A gente sabe por experiência, mas os experts concordam: pedalar, pedalar, pedalar, ajuda a nos distrair de pensamentos estressantes. E o exercício, mesmo sendo forte, trás relaxamento.

Aumenta o bem-estar

Pedalar aumenta nosso bem-estar. Os exercícios aumentam a produção de endorfinas, que são estimulantes naturais.

Dica do Pedaleiro - 5 dicas para viver melhor.

Gira-me: Perna Cabeluda me livra de babaca.

-.-.-.-.-.-.-.-.-.-


Angel: Pocho vive!!

Reproduzo na íntegra o texto do Claudio Oliver, que re-memora, Pocho - um ativista ( ou seria um teólogo das ruas) das causas sociais em terras Argentinas.



"Andar de bicicleta, em uma ciclovia curva e que leva nada a lugar nenhum, somente pelo lazer e desfrute, pode ser um hábito saudável e uma forma de desligar do dia-a-dia e do corre-corre.

Mas a bicicleta possui um poder e um simbolismo maior para muitos. Usa-la tem sido, para muitos, uma forma central de resistência, de crítica e de anúncio. Com ela se resiste a sucumbir à cultura auto-destrutiva do automóvel, com ela se estabelecem críticas à sociedade da aparência e da sensação de poder que se tem em montar em um carro e sair por ai com a atitude de dono do mundo, isolado do resto da criação. E com ela se anuncia um outro mundo possível, à mão e disponível para começar a ser vivido já. Ela traduz um jeito de ser e viver, um determinado reencontro com a humanidade e traz a possibilidade de voltar a enxergar os que estão ao lado. Ela é, como dizia Ivan Illich, o veículo da revolução, que se faz nem tão rápida como a pretensão do automóvel, nem tão lenta como a marcha a pé, mas “preferencialmente sobre duas rodas”.


Uma das pessoas que recentemente mostrou esse poder da fraqueza tendo como símbolo a querida 'magrela' foi Claudio Hugo “Pocho” Lepratti (27/02/1966 – 19 de Dezembro de 2001).

Conhecido como o “anjo da bicicleta”, este ativista foi morto em Rosário, Argentina em meio aos protestos que marcaram a grave crise que aquele país passou e que teve seu cume com a renúncia do presidente La Rua, naquela mesma semana de 2001.

Há somente 7 anos atrás a população argentina enfrentava desemprego de mais de 50% de sua população. Fome e miséria faziam parte da realidade de muitos, e como sempre nesses casos, quem mais sofre são as crianças, que têm seu presente oprimido e seu futuro roubado, e os velhos, que têm seu passado desrespeitado.


Em meio a esse quadro, um jovem professor de filosofia, um assumido teólogo de rua, um cristão comprometido com a causa do pobre, subia na sua bicicleta e dava de comer, para a alma e para o corpo, a meninos e meninas do bairro pobre, da “Villa Miseria” onde decidiu viver para servir. Eis aqui sua história breve.


Lepratti nasceu em Concepción del Uruguay, Entre Ríos, e estudou direito entre 1983 e 1985, enquanto ao mesmo tempo era um colaborador dos Salesianos de Dom Bosco. Depois disso ele entrou no seminário salesiano Ceferino Namuncurá em Funes, Santa Fe, como irmão cooperador. Ele estudou filosofia e se tornou professor.


Os estudantes do seminário eram levados a visitar lugares próximos com a finalidade de entrar em contato com a realidade do dia-a-dia dos pobre e com eles trabalhar. Lepratti acabou pedindo para estender esta prática para um constante trabalho entre os pobres, mas seus superiores disseram que ele precisava manter seus votos de obediência e se manter estudando. Devido a isso, após 5 anos ali estudando ele decidiu deixar o seminário e foi viver em uma favela, ou “Villa Miseria”, no Barrio Ludueña, Rosário.


Na paróquia liderada pelo padre Edgardo Montaldo, ele criou e coordenou um número grande de grupos de crianças e jovens, organizou excursões, ateliers, etc. Além disso, ele trabalhou como auxiliar de cozinha nas instalações que proviam comida para as crianças pobres da favela, e ensinava filosofia e teologia na escola paroquial.


O ASSASSINATO


No fim de 2001, a Argentina estava chegando ao máximo de sua crise econômica, marcada por recessão e desemprego extremo. Em 18 de Dezembro, distúrbios, saques e protestos tomaram o país, chegando até à grande Buenos Aires. O Presidente Fernando de la Rua ditou um estado de emergência, suspendendo as garantias constitucionais, e começou uma forte repressão.

Lepratti vivia na 'villa miseria' em Ludueña mas fazia trabalho voluntário diário em uma escola no 'Barrio Las Flores', no sul de Rosário.


Em 19 de Dezembro, a polícia de Santa Fé cercou a área da escola para sufocar um protesto que estava crescendo, com piquetes e bloqueios em avenidas próximas. Lepratti e dois outros membros da equipe subiram ao teto da escola para avaliar a situação, e em meio ao tiroteio, eles começaram a gritar para a polícia pedindo o cessar-fogo, dizendo: “Não atirem, aqui só tem garotos comendo”. Naquele momento, um projetil de chumbo de uma calibre 12 partiu da marma do POlicial Ernesto Esteban Velázquez e atingiu Pocho na traquéia, o que o levou a morrer antes de chegar ao hospital.

Pocho fazia tudo isso montado em sua bicicleta. O meio de ir e vir que permite olhar no olho, ver a face, cumprimentar e ser humano. E que ele usava para ir longe e se manter próximo.

Sua morte foi um marco para três movimentos: o de mobilidade urbana, o de compromisso com os pobres e o de comunidades cristãs de base. O símbolo de uma bicicleta alada se espalhou, um


anjo subiu em duas rodas e passou a inspirar outros.

Leon Gieco gravou um clipe com a música “angel de la bicicleta”, que você pode assistir aqui abaixo. Poemas, jornais, e a massa crítica em Buenos Aires tem nele uma de suas inspirações; a biblioteca Pocho Lepratti virou um marco no movimento social em Rosário. Mercedes Sosa vai gravar a canção em breve e um documentário ( estou trazendo para o Brasil em algumas semanas), POCHORMIGA, conta sua história.


E era isso, ele fazia um trabalho de formiguinha, parecia nada, mas aqui estamos nós, discutindo sua vida, exemplo e morte. Mais um santo do dia, mais um anjo, fazendo a revolução, em cima de duas rodas.

Assim, como uma formiga, cada um de nós pode fazer mais com nossa vida e com nossa energia do que entrar no carro e crer que o maior problema de nossa vida é o engarrafamento."




vídeo:

El angel de la bicicleta


leia também:

O anjo da bicicleta

-.-.-.-.-.-